História de nossa Escola
E.E Profª Rosa Mari de Souza Simielli.
Criado oficialmente em 12 de novembro de 1969, o Grupo Escolar do Bairro Sorocabano, foi instalado a 16 de fevereiro de 1970 e recebeu, por lei de 28 de abril de 1975, a denominação de Escola Estadual de Primeiro Grau do Bairro Sorocabano Rosa Mari de Souza Simielli.
Memórias da Rosa.
Afinal quem é Rosa Mari de Souza Simielli?
Vamos conhecer um pouco dessa mulher, que infelizmente teve uma vida breve, porém o suficiente para que todos nós que carreguemos o seu nome junto aos nossos uniformes!
Após pesquisas realizadas chegamos até a senhora Nair Rombola que gentilmente entregou suas memórias sobre a vida de Rosa, para que nós pudéssemos saber um pouco sobre a sua trajetória.
“Rosa era bonita, vistosa,cabelos compridos e negros. Era tímida, reservada, introvertida, porém era uma pessoa alegre e disposta”, lembra Dona Nair com muito carinho.
Filha única de um casal de comerciantes de Jaboticabal, seu pai José Simielli era dono de uma perfumaria chamada Casa Simielli e sua mãe Dona Maura era dona de um salão de beleza. Rosa trabalhava na loja com seu pai enquanto cursava faculdade.
Nair e Rosa eram estudantes do curso de Letras na Faculdade Moura Lacerda de Ribeirão Preto, muito amigas, as duas viajavam juntas para estudar, já que ambas moravam em Jaboticabal.
No último ano de faculdade a oportunidade de atuar no Projeto Rondon chamou a atenção das então estudantes, fazendo com que as mesmas se inscrevessem nesse projeto e criassem expectativas em relação a ser chamadas para ingressar, já que a atuação no projeto era muito concorrida pois funcionava como uma espécie de estágio, cabendo apenas dois alunos de cada curso da faculdade.
“A faculdade tinha uma capela, Rosa e eu sempre íamos rezar para que nossa inscrição fosse aceita.”- lembra Nair.
Por fim as duas amigas do curso de Letras foram escolhidas para essa viagem, que para elas que nunca haviam saído de casa para tão longe, motivo de euforia total! ”Foi uma época do auge da felicidade na vida da Rosa, estávamos muito felizes.”-relembra Nair.
No projeto ministravam aulas voluntariamente, ajudavam na organização das escolas locais, já que a região na época era muito precária e carente de recursos. Rosa, Nair junto com outros estudantes foram semear a esperança e o desejo de um país melhor e igualitário.
“Fomos a 33ª turma, éramos em 20 alunos e ficamos 33 dias no projeto Rondon.”
No último dia no projeto foi realizada uma festa em que diversas atrações aconteceram: Coral, teatro, música. Estavam presentes todas as autoridades locais. Rosa participou de tudo com muita presença de espírito. ”Rosa estava extremamente feliz, me lembro de sua felicidade.” - relembra com saudosismo.
Foi assim que Rosa se despediu do Projeto Rondon e da vida, pois nesse dia após o término da festa de encerramento, Rosa resolveu ir embora na frente de seus colegas e acabou sofrendo um acidente que tiraria sua vida e do rapaz que estava dirigindo. Os dois estavam indo embora com um fusca quando colidiram com um poste. Rosa e o rapaz morreram instantaneamente.
Nair sua amiga que veio em outro veículo reconheceu o carro em que viu Rosa partir:
“Quando vi a Rosa, ela estava inerte, acabei desmaiando e não sei bem ao ser o que aconteceu depois comigo” - relembra emocionada.
A morte de Rosa foi um choque para Nair e todos envolvidos no projeto, todos questionavam o porquê de sua morte, foi uma tristeza total.
Foi realizado um velório na capital Rio Branco onde era a sede do projeto. “Escolhi a roupa que Rosa foi sepultada, um conjunto azul que ela tanto gostava” - conta Nair. O sentimento de comoção tomou conta de todos. Sua morte teve repercussão nacional, todos ficaram muito consternados com a ida precoce de Rosa, afinal ela contava com apenas 22 anos.
Depois de algum tempo o corpo de Rosa chegou a Jaboticabal, já que foi fretado um avião somente para ela. O Governo custeou todas as despesas entre vôo e velórios. Aqui em Jaboticabal seu velório gerou muita comoção, todos queriam prestar homenagens a jovem Rosa. Na época em que Rosa faleceu sua mãe tentou o suicídio várias vezes, tendo de ficar sobre vigilância dos familiares.
Rosa deixou um noivo, seu único namorado de toda a vida, seu nome era Silvio. Ela faleceu em 12/11/1973 e iria se casar com Silvio em janeiro de 1974.
Nair sua amiga devido ao trauma teve de se submeter a terapias durante muito tempo, deixando também de participar da formatura da faculdade.
Rosa está enterrada no cemitério de Jaboticabal e em seu túmulo está o mapa do Brasil, representando sua devoção a Pátria, sua dedicação as pessoas e o fato de ter perdido sua vida nessa campanha patriótica.
O antigo 4º Grupo Escolar do Sorocabano foi homenageado com o nome de Rosa Mari de Souza Simielli em 28 de abril de 1975.
“É a primeira vez que falo da Rosa sem chorar”. Sua ida precoce abalou várias pessoas, porém nossa escola reverência seu nome e sua foto em destaque relembra sua dedicação e contribuição para a nossa pátria.
Entrevista realizada por Jéssica Marucci, com Nair Rombola, amiga de Rosa e sua companheira no Projeto Rondon.